Puta merda.
Segundo lugar...
Que saco. Falta só eu ganhar na loteria. Será que as pessoas não podem ter o direito de sofrer por uma rejeição?
Ternuras contidas pelo telefone. Aff.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
passei
Daniela Cardoso Moraes, aqui no meio dos aprovados. Que coisa...Bom, uma realização. Que venham as tempestades das novas conquistas.
Não sei como celebrar ainda.
Fiz cookies com a minha irmã.
Em São Carlos faz calor e a cama é confortável.
Viagem terrível para Campinas. Africanos conversadores. Passei horas naquela rodoviária que mais parecia um shopping. Conversei com uma professora que acabara de receber um licensa por estresse. Seu corpo somatizando as mazelas das responsabilidades. Um peso no corpo. Uma bagagem enorme. Ainda não aprendi a fazer as malas. Sempre acrescento um all star a mais e esqueço a tesoura de unha.
Converso ainda...e sorrio, claro. Mas ainda dói. Eu só saberia como festejar se fosse com ele. Não fiz segundos planos para celebrações. Por isso o melhor foi fazer cookies mesmo.
Se houvesse um prêmio para melhor fora eu acabaria ganhando isso também. A vencedora. Um hippi-hippi Hurra para a nosa "amestrada", uma salva de palmas para a moça inteligente mais boba que existe! Que as forças guardem essa minha bobice e ingenuidade em acreditar no amor.
Acho que vou fazer meu segundo tratamento de canal amanhã. A droga do dente lateja como a minha outra dor.
Estou sem poesia.
Não tô nem aí.
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domingo, 13 de dezembro de 2009
Ontem
Lutando contra as verdades, tentando impor algo que faça sentido ao menos para mim...vou tomando pelas noites de Brasilia vitamina C em copo plástico para sobreviver à espera de resultados. Meu corpo todo à espera...amolece, tonteia, se perde nas entre-quadras do interior.
No meio do círculo de pessoas dançantes e leves, sou uma pedra...ou uma estalactite, diminuindo pouco a pouco a distância mineral, me construindo de matéria, de rigidez. Meduseio-me, poderia dizer. No sorriso, nos carinhos, nas ternuras. Simplesmente porque não posso me dar o luxo de sofrer pelo amor rejeitado.
Tantas palavras disperdiçadas, tanto discurso infecundo. E eu nem disse que te amo. Talvez porque não ame.
Existe a facticidade do amor?
Caminho no meio das gentes sonanbulando minha dor que não deveria existir.
O nariz escorrendo no travesseiro do amigo, amanheço com saudades de todo o amor que poderia dar. Abraços, carinhos...mas sem conteúdo. O que é fazer gozar? O que é cama? O que é que eu tenho com tudo isso?
Sem contiguidades o tempo é um estar presente inconstante, sem ritmo. Momentos que capto e não me importo em costurar com sentidos. Para que afinal?
Modorra é uma palavra que vem à cabeça.
Ela é bonita, conversa agradavelmente sobre sua vida, sem impecilhos. "Quer um chá?" "Um chá?" "É, ajuda a descongestionar o nariz..." "Sim, claro"...Muitos chás.
Disse que a melhor forma de resolver os problemas internos em questões de amor é arrumar o lixo. Então não posso jogar o saquinho do chá no mesmo lugar da embalagem. Presto bem atenção nisso. Não posso me confundir...Medo de piorar a dor dela. Ao lado dos plásticos uma caixa de papelão cheia de garrafas de vinho. Ele foi embora porque é movido por paixão. Ele tocava violino.
A primeira vez que romperam foi ela a sair de casa. Ele dava aula para uns iniciantes. Bach desafinado enquanto ela carregava o colchão e o medo para fora.
É, a vida é assim. Não é que eu esteja reclamando. Apenas não consigo vive-la agora.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Bsb - cotidiano
É isso. Vou aos cafés, escrevo poemas ruins, fumo muito, canso, pego a W3, vou de asa a asa sem sentir que posso voar. Durmo pouco, leio muito. Hoje espero. Olho tudo. Chove todos os dias, faz frio para a manauara. Minha única poesia é lembrar do meu Outro, O Chanfrado Outro, Hilstianamente falando.
Bsb
Jogo dos setes erros na emoção,A estrutura da cidadeEmoldura a atençãoNa intensidade do começoSob os riscos do coração.Riscos geométricos - por sinal -Traçam de ausência o teu lugarNo dentro-fora do sinalQue não indica o meu lugar.Verdes possibilidades comentamNa chuva branca do dia nos cafésNas esperas, nos carros que param,Nas travessias e pontes das ralés.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
prolegômenos
Nos dias que antecedem. Nesses exatos dias que antecedem. Nas antecedências e prolegômenos que elas criam... pontuo sempre a vida com ordinariedades. Nada melhor do que passar horas a fio no Hellooks, nos flicks de amor, nos blogs do alheio, na manicure, nas barracas de pastel. Meu último pastel em Manaus. Tudo bem sozinha, esbarrando a esmo em um conhecido aqui e ali – um até oferece uma boa carona para ir ao banco – fingidamente com naturalidade. Fingir é quase uma religião nesses momentos.
Pedindo a deus, e acreditando nele, espero não ter que me envolver na vida de ninguém, nas chateações de ninguém, nas angústias que não sejam as minhas, nas delícias que não sejam as minhas. Assumidamente egoísta, ao menos nas antecedências. Angustiada, achando que a manicure não deu tudo de si, mas evitando qualquer constrangimento com um sorriso e um até logo, fingindo que tudo vai estar da mesma forma, que poderei na próxima semana comentar as cutículas que sobraram. Angustiada, catando cada ruga do asfalto mal feito das ruas do bairro – aquele bairro de sempre, de todo o sempre, onde tudo aconteceu e revigora a cada instante em que passo, num simulacro esquizóide – catando cada olhar e cheiro azedo-doce-amargo-ácido-de-chuva-fumaça-sol-suor, catando tudo para não ter que faltar lá adiante. Por um momento penso em comprar um cacho de bananas na feira para levar para os dias que virão. Sabe-se lá se vou encontrar bananas para onde o que virá vai me levar. Sabe-se lá, bem lá depois da esquina... Sorrio de mim mesma sabendo que nunca serão aquelas bananas e que já nem penso nelas.
A solidão imposta é uma nudez de sensibilidade, nervos pulsando, carne fina, mole... a pele é tudo o que resta, a pele é tudo o que sou. E isso agora aparece, se mostra como a paixão que não deu certo, o amor fracassado que sustento no peito despelado. Também esse amor é tudo o que resta. Ele resta apenas, solitário, insular. Resta porque pura esperança, sustentáculo do que sou, do desejo de ser algo mais, de derramar ali toda essa espera – agora que tudo já foi dito e desdito, polido, enferrujado, carcomido, cansado. Resta; sou. Um pouco da tua voz, teu cheiro que não sei, tua maciez, mansidão. A única droga para estancar a hemorragia de sentir que me vou.
É sempre uma droga ter que carregar o mundo e esse mundo ser um embolado de vida doendo, se remexendo e quicando. Sem chuteiras nos pés, sem gol ou aro, o único dever é continuar levando essa bola, esse mundo, esse que se dói.
Estou cansada em todos os meus cantos.
sadness é melhor que tristeza. Sibila mais, diminui o atrito no palato das sensibilidades.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
máquina de fazer ping

Expus pra ele a relação feita entre filosofia e Bakhtin e ele, como bom professor de filosofia, disse que eu só podia estar equivocada já que a filosofia "não é discurso, é uma verdade compartilhada por todos e por isso não pretende ser Lei ou palavra paterna". Eu olhava pra ele sorrindo. Como é quié?! É, é sempre assim. Sempre a defesa da filosofia se volta para a sua philia, seu pretenso amor pela verdade, "verdades"... como se as idéias realmente não passassem por uma subjetividade, um indivíduo que as insere no campo da discursão, e simplesmente fossem assim, parte da noosfera ideal e tal, e todos são simulacros platônicos... etc. Hunrum, tá. Um romantismo pelo pensar filosófico é compreensível, mas um romantismo sobre o dizer/escrever...difícil de engolir sabendo os efeitos das palavras. Não quis perguntar mas me questionei sobre a ingenuidade do meu amigo: será que ele acredita que as palavras são apenas transportadoras de conceitos e idéias de forma pura, límpida e impune?
Resolvi deixar pra lá e ficar com o vinho e com a companhia. O vento batia manso nas folhas do jardim e a sensação áspera do vinho me distraiu. É louca essa distração concentrada, quase meditativa. É um mergulho semi-consciente nas coisas. Por isso, a língua era um campo enorme que atravessava o meu interior de aspereza, sendo sua extensão a extensão da minha atenção imersa, absorvida pela sensação, com a distância próxima da minha companhia como paisagem. É tão bom caminhar enquanto se caminha, acompanhar enquanto se acompanha...Assim, deixando ser, praticando o desapego budista do momento e dando o máximo de acolhimento e ternura. Cálido, amigo...nos pés que as mãos abraçam e no sorriso de te fazer bem. Doar-se é assim, amigo: suavemente ajeitar teus cabelos em cachos por trás da orelha e sorrir.
Difícil mesmo é abdicar do que não se pode abdicar, do que é um Dever, um sentido maior que organiza as coisas por cima das impossibilidades. Como o apontato nos dizeres do autor desconhecido. Máquinas desejantes. Mas que o desejo venha, se faça e se vá quando for, sem obrigações ou patologias, sem culpa que a culpa só é liberdade quando se des-culpa. Como se fossemos um canal onde essa energia, a libido, passasse sem barreiras. O problema do recalque é a dor da culpa. Caminhar quando se caminha, dormir quando se tem sono, comer quando se tem fome e... desejar quando se deseja. Nesse sentido não se está indo contra o preceito budista de se comprometer com o momento. Matar o desejo é se mutilar, impedir o fluxo vital da energia que move essa budega toda.
Lembro de "O sentido da vida" dos Monty Python. Tão sem sentido quanto uma máquina de fazer ping marcando nossa vitalidade, absurdamente sinalizando que vivemos. É mesmo tudo muito sem sentido.
sábado, 21 de novembro de 2009
relações bakhtinianas
A Filosofia como palavra do Pai ou como palavra interior?
Posicionar-se frente a um discurso nunca é fácil; posicionar-se frente a um discurso filosófico se torna, no mais das vezes, muito pior. Isso porque um discurso é sempre polifônico, cujas multiplicidades de vozes muitas vezes escapam a consciência do repector. O posicionamento se inicia com o esforço de separar aquilo que é "palavra autoritária" daquilo que é "palavra interiormente persuasiva" - se concordo ou não. E esse esforço deve ser maior quando se trata de um discurso filosófico porque, sendo um discurso assumidamente conceitual, exige que se faça referências arqueológicas que remontem precisamente ao legado da história da filosofia. E é justamente nesse espaço virtual da palavra que pode se esconder um poder instituído pelos discursos filosóficos, onde todo posicionamento posterior deve necessariamente dialogar não com o dito específico mas com as contra-argumentações guardadas como armadilhas aos incautos que se proponham a um posicionamento. Aqui lembro dos anseios de Deleuze em fazer do seu discurso não um balaio de conceitos, mas a possibilidade de fazer filosofia, de criar filosofia.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
divagações deleuzeanas
O Outro me estrutura ainda.
Se o perco para o mar é pior, é mais agreste, mais secura, não tenho como organizar os sentidos dos valores que atribuo às coisas. Muito difícil ficar sem o dito do não-dito, muito mais. Penúria da ilusão. Robison Crusoé, náufrago deste périplo, é preciso ver a ilha como o regresso ao lar abandonado pela imaginação, é preciso ser a ilha, minha insularidade imposta no aqui das distâncias, das partidas nunca feitas. Não ocorre a esse náufrago de mim que há tempos inventaram os aviões, que dinheiro se faz trabalhando, que sua perversão é impor-se impossibilidades quando o desejo não é pecado em si, quando o desejo, se consumado, não é culpa. Não ocorre a esse náufrago em mim que é no imaginário que reside o grande demiurgo, a criação dos obstáculos vencidos...Mas se ocorresse, que obstáculo maior que o silêncio do meu Outro? Como vencê-lo? Por isso o meu Outro será sempre esse borrado da visão, esse vulto amargo e íntimo, esse que me conhece e ouve de há muito.
Sinto, sangro: mas o caminho para estar em paz com a natureza, minha ilha, minha solaridade.
O meu Outro é assim de chanfrado. Nada de abertos da alma ou escancarados da imaginação. Nele tudo é silêncio. Por isso tudo nele é evasivamente luxurioso, pelo transbordamento que a ausência permite ao meu imaginado. O meu Outro não fala então. Não importa o quanto diga, se ele não diz o que quero, é como se não falasse. Falo eu, pelas ruas, pelo canto da cama, com o livro na mão, para platéias absurdas, para os amigos, para mãe e para o cachorro. Falo para o cigarro, o copo, o café, para o canto da mesa em que deveria estar o meu Outro ou no canto da cama, no banco ao lado no ônibus. Lá ele deveria estar e por isso continuo a falar para essas brechas abertas pela sua ausência – essa que é lança e sangra o meu discurso.
Se o perco para o mar é pior, é mais agreste, mais secura, não tenho como organizar os sentidos dos valores que atribuo às coisas. Muito difícil ficar sem o dito do não-dito, muito mais. Penúria da ilusão. Robison Crusoé, náufrago deste périplo, é preciso ver a ilha como o regresso ao lar abandonado pela imaginação, é preciso ser a ilha, minha insularidade imposta no aqui das distâncias, das partidas nunca feitas. Não ocorre a esse náufrago de mim que há tempos inventaram os aviões, que dinheiro se faz trabalhando, que sua perversão é impor-se impossibilidades quando o desejo não é pecado em si, quando o desejo, se consumado, não é culpa. Não ocorre a esse náufrago em mim que é no imaginário que reside o grande demiurgo, a criação dos obstáculos vencidos...Mas se ocorresse, que obstáculo maior que o silêncio do meu Outro? Como vencê-lo? Por isso o meu Outro será sempre esse borrado da visão, esse vulto amargo e íntimo, esse que me conhece e ouve de há muito.
Sinto, sangro: mas o caminho para estar em paz com a natureza, minha ilha, minha solaridade.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Caretos


Quem tem medo dos caretos?
Agora adicionei mais um elemento ao meu imaginário - se bem que um imaginário turístico, de experiência febril, orgiástica e volátil: expectadora encolhida e suada no fundo de uma sala o Museu Amazônico. A figura dos caretos me foi apresentada de forma eloquentemente desmistisficada pelo trabalho etnográfico do professor dr. Paulo Raposo, o qual desenvolveu o conceito de Performance em sua análise.
Infelizmente uma pergunta, lançada por ele, ficou por ser respondida: o que seria a performance dos caretos em um contexto mercadológico e turístico? Respondi internamente que estaria na restauração dos gestos que nunca são repetidos, mas reutilizados, num movimento de reciclagem. Se tais movimentos caminham para uma alienação da cultura de massas, nem a escola de Frankfurt e os Adornos da vida podem julgar dentro de um olhar antropológico.
Mas o fato é que para mim, cabocla manauara, tomar conhecimento dessas práticas me sobe a patos - para usar uma expressão portuguesa. Pois a figura dos caretos encerra em si o arquétipo do trickster, do carnavalesco demoníaco, da carnalidade desenfreada.
Originário da região rural de Trás-os-Montes ao norte de Portugal, o ritual dos caretos servia como passagem para a vida adulta de jovens rapazes virgens que desejavam desempenhar um papel ativo em sociedade. Consistia exilar esses rapazes em uma casa, vesti-los com pesadas roupas de lã, sinos/chocalhos à cintura e com uma máscara feita de couro e madeira durante o período próximo ao natal. Durante esse tempo os caretos podiam invadir a propriedade privada, saquear as despensas, beber os vinhos e chocalhar as mulheres da vila. A prática da chocalhada é que de mais interessante, pois era a licenciosidade carnal de atacar as mulheres desprevenidas que passassem pelas ruas e apalpá-las enquanto investiam sobre ela movimentos que remetiam a atos sexuais ao mesmo tempo que chocalhavam seus sinos pesados, infligindo-lhe dor ao dar-lhe com os sinos sobre os rins. Meeeedo! Dá-lhe Bakhtin neles!
Para saber mais, de gente de lá...e ao que parece Portugal continua mística.
O blog linkado recomendo ler apenas sobre os caretos, o resto é leexo.
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