sábado, 14 de novembro de 2009

dieta, ética e infância.

ii
Sendo reducionista, temos para com as coisas duas posturas. Ou ela é positiva ou é negativa. O problema de tal reducionismo é a forma como se relaciona ao positivo ou negativo uma postura moral, sendo-nos impossível dissociar nossa apreensão sobre elas do mundo social simbólico que é o mundo da cultura. A abstração nesses polos podem chegar a alturas impalpáveis, a discussões sobre ética feitas pela filosofia, por exemplo.
Essa semana assiti a uma palestra sobre bioética - tema da semana de filosofia da Ufam - que gerou mais uma polêmica banalizada: o vegetarianismo. O palestrante falou basicamente sobre a posição do Peter Singer de uma consciência utilitarista das questões que envolvem a matança e pá e tal. Enfim, isso não vem muito ao caso, porque o mais interessante foi a repercussão do que estava sendo proposto. Como ninguém estava muito afim de ir até o fundo e abrir mão das suas premissas - ouvi com pasmeira a minha colega chamar o palestrante de nazista e ainda não entendi como aquela configuração se formou na cabeça dela... - as coisas ficaram no nível da afetação. Seria interessante pensar sobre o imaginário, como o G. pensou, da ética nesse aspecto. Porém o que mais me intrigou nisso tudo foi pensar que uma postura ética spinozista daria conta disso para mim. Digo, seja pato, peixe, ostra, macaco, prima, flor, amigos, pais, teu namorado (a), filho...o que importa é deixar-se fluir.
Estando no plano dos confrontos de corpos, nunca saímos impunemente de um tropeço. Alguns (e a metáfora do Fausto quer mostrar isso na modernidade) saem por aí dando ponta pé, abrindo sua passagem no terçado sanguinolento, outros gentilmente pedem passagem mas, se não lhe dão, empurram e esperneiam, outros contornam sem ter contato algum e outros infelizmente param ali para o resto da vida. Pensar assim exclui uma discussão que poderia ser apropriada: o amor. O supremo amor. será que a ética do Spinoza era mesmo apenas uma teoria matemática? Mesmo sendo, isso significa o que? "Mas isso é teórico demais", disse ele um dia para mim, sobre o sorriso dos amantes...E então entramos na criação. Criar possibilidades de agir a teoria que é tão existente quanto essa realidade construída também se apresenta como trajetória caótica do fluir positivo da vida.
Daqui quero agora puxar a fala do Júlio Lemos, o moço prendado do Feliz Nova Dieta linkado ali do lado. Seus ditos sempre me enchem de entusiamo há anos, por concordar com ele quase sempre, nas suas sensibilidades do mundo. Sua dieta é uma dieta buscada por mim e que de certa forma me fez aderir ao vegetarianismo. Não, a culpa do meu vegetarianismo não é da dieta do Júlio, mas para mim existem aproximações.
Bem, em post de hoje (14.11) Júlio trouxe à cena uma personagem para falar de conhecimento próprio, verdades sobre si e sobre o outro, como nos enredamos nesses aspectos. A personagem consiste naquele tipo que consegue ter um olhar atento e analítico para as misérias do mundo, um personagem "sóbrio", poderia dizer - sem deixar de me comprometer com coisas com as quais não tenho a intenção de me comprometer a priori. Pretty girls make graves (banda mais ou menos, por sinal, rá), de fato. Esse assunto me é muito caro por se aproximar da visão junguiana que eu tenho. Então vamos às aspas:
"O conhecimento próprio é um imenso poder; com ele a pessoa pode tanto demolir a si mesma como começar, finalmente, a dar passos práticos na direção certa. Muitos ficarão a vida toda no cinismo teórico, celebrando-o qual escravos do seu próprio orgulho. Outros cessarão a destruição e, finalmente, olharão para si mesmos, abandonando sua autopiedade com realismo: isso eu posso fazer, e é necessário começar imediatamente. E virão as medidas práticas, palpáveis, reais, ditadas pela prudência. E então a criança pára de chorar e de jogar a toalha. E limpa as lágrimas, em sinal de vitória – o círculo vicioso foi quebrado."
Belíssimo. É justamente essa discussão que estava fazendo sobre infantilismo tempos atrás nas portas fechadas da minha intimidade. Nem tão fechadas como o blog pode mostrar. E o Júlio conseguiu resumir minha afetação sem nem ao menos ter falado uma vez sequer em Jung - o que é ótimo. E ele finaliza da seguinte forma:

"Isso prova que o mais difícil é abandonar as mentiras que contamos para nós mesmos. Essas mentiras crescem, formam uma rede e nos dominam. Mas é sempre possível admitir que “sou mesmo um canalha”, dando nome aos bois. O caminho fácil consiste em prosseguir na mentira, sempre confortável, supercool, socialmente – embora apenas na superfície – admirada. O bem é sempre árduo, embora a mentira cause, isso é fato, sofrimentos indizíveis a longo prazo, e até a loucura completa"
Ora, ninguém disse pra gente, quando viemos à consciência de nós, heideggerianamente falando, que seria fácil. O problema é que poucas pessoas, ao se confrontar consigo mesmo, reconhece isso como uma verdade a ser levada em consideração.
ii

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

bibio







quinta-feira, 12 de novembro de 2009

how handsome


Agora, para além do moralismo explícito no primeiro plano de "leitura", integrando a imagem como a representação simbólica total do indivíduo, é interessante como são ocidentais as disposições que a metáfora nos fornece: a beleza como algo platônico, acima, a sombra e a realidade como algo em contato com o chão, com a realidade. Não, não quero nem fazer a leitura sociológica e eurocêntrica. É dentro dela que essa imagem é formada e que seu sentido deve ser apreendido. Bem, a água como símbolo do psíquico, das emoções: pelo espelhamento das emoções pode-se reconhecer-se em uma beleza transcendental, para além desse mundo concreto e que se dispõe sobre nossos ombros.
que coisa!
típico...

Falácias

Tá certo... que eu não tenho nada a ver com os sentidos negativos do mundo, é realmente uma falácia. Mas que eu não tenho a ver com os sentidos negativos de determinados mundos subjetivos criados na história pessoal de determinada pessoa, ahh, isso eu não tenho mesmo. O que eu queria dizer é que, seja como for, se minhas ações ou palavras te afetam de determinada forma isso não se dá em mim, elas afetam sobretudo àquela pessoa que foi afetada. Determinada configuração da imagem do meu discurso, ou determinada mensagem dita por mim no mundo tem muito mais a ver com a maneira como quem vai receber essa mensagem consegue me ver, refletir sobre o que eu represento no mundo como sujeito ideológico, se consegue reconhecer as bandeiras que defendo e o que eu represento afetivamente. Ou seja, se dói é porque dói em alguém e se dói em alguém e não é em mim... Bem, é preciso refletir sobre nossa forma de dar sentido aos discursos.
Mas estava cá pensando nessa quinta de botões abertos novamente sobre Abelardo. Intelligere e comprehendere. Essa distinção que ele usa para falar sobre a forma de lidar com as coisas me parece, ainda que separada nesse momento, muito próxima da idéia de transferência da psicologia. O conh ecimento se dá por um posicionamento transferencial que possui tanto a ratio como a alma no processo de apreensão do mundo. O belo do castrado Abelardo é que ele reconhece que a razão nunca chega a verdades definitivas e que todo conhecimento só pode ser verossímil.
Por sinal, verossimilhança é um conceito muito caro à Ciência Literária.
Indo ontem para a Ufam, vi na calçada uma daquelas fitas de interdição listrada em preto e amarelo, sabe?, e sobre ela, no chão, batia um vento que foi volteando a fita de tal forma que parecia muito o deslizar de uma cobra. Comentei com o amigo: nossa, tô vendo muito uma cobra ali, bicho! e ele: é, isso é transferencial. E eu perguntei de que forma o conhecimento sobre o mundo não era transferencial, afinal, porque não se tratava de ignorar que aquilo era uma fita... As duas constatações estavam no mesmo nível de reconhecimento para mim (fita e cobra) e mesmo assim... Então ele disse que era um preconceito achar que a transferência não faz parte do conhecimento e da razão. De fato. Sim sim, salabin.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

cat power, ditos e desditos

Então, era o que eu tava tentando te dizer: que nós nunca diremos a mesma coisa. Parece algo sem propósito, não é? Mas se estou aqui é para fazer transbordar as palavras mesmo, multiplicar os significantes, até puir esse texto tecido tessituras e descobrir novamente o palpável do mundo. Por isso quero dizer que tudo é um tanto mais complexo – como se já não bastassem os nossos complexos – do que só imaginar que o que dizemos muda pelo contexto em que estamos. Pensar assim é pensar apenas discursivamente (entendendo discurso como Bakhtin, as polifonias do discurso, em ele ser dialógico e polêmico, em implicar um sujeito da enunciação etc etc), mas isso é apenas a manifestação, creio eu, de algo que está impregnado na própria estrutura da linguagem. E vaaaamos, o cara morreu e tal, nem é por causa dele anyway. Então vamos pra um outro mais morto ainda? Saussure e a língua como objeto, descartando a fala (já que o discurso nasce da fala, da manifestação da língua), quando ele diz: é um sistema formado por signos os quais são arbitrários, acabando assim com a relação representacional clássica que une as palavras às coisas. Esses signos são arbitrários pela própria forma clássica das aulas de semiótica: significante e significado. Mas, tá, se os signos são arbitrários e não colados às coisas então como as palavras, ou melhor, como os signos sustentam seus significados? Daí o espertinho do Saussure recorre novamente ao sistema. Diz que o significado de um signo é dado ou constituído pela diferença que possui com os outros significantes do sistema que é total, hein, total. Pode-se então imaginar miríades de significantes pairando fantasmagoricamente para conjurar um significado específico? Dá-lhe vertigem! Mas, lembra das aulinhas for dummies de semiótica, né? O Umberto Eco serve: significante é o que se mostra, a imagem acústica da palavra, a palavra escrita, sua imagem nesta tela etc, etc. Então o signo “gato” só é “gato” porque não é “pato”, “mato”, “rato” ... Ou seja, seu significado é constituído pelo binarismo da linguagem, onde o positivo só é positivo por não ser negativo, prevendo com isso na sua própria constituição o seu constituidor. E esse raciocínio não te faz lembrar de alguns raciocínios sobre a questão da alteridade? Bem tosco, eu acho. É o que vai fazer o Lacan com o pensamento do Freud.
Enfim, expandindo esse pensamento para a cadeia de uma frase (período, texto) é impossível não voltar para a idéia do contexto: o significado de uma palavra não se compreende separadamente do seu contexto lingüístico, recebendo influência de todas as outras palavras que compõem a teia. Ora, se o significado da palavra não está nela mesma essencialmente, significa dizer que está na relação com as outras. E a esse pensamento tchonga batizaram na família dos “pós” de pós-estruturalismo.
Derrida vem daí com as suas idéias sobre escritura e desconstrução. Bem, e se eu devo me referir a outro significante para buscar o significado de um primeiro significante (numa busca erótica do dicionário), o que encontramos é sempre um outro significante. Percebe então como é impossível dizermos a mesma coisa? A Chan Marshall com certeza esqueceu disso quando escreveu Say.

Learn to say the same thing
What defeats people is a double confession
One time they will confess one thing
And the next they will confess something else
Talk to tham they will say


Porque não dá pra aprender a dizer a mesma coisa e nem é isso que vai nos derrotar. Learn to say the same thing...tsk tsk tsk, nops!
Daí, pra sermos modernos, podemos mesmo cair naquele papo novamente, do problema do indivíduo: sendo feito de linguagem o indivíduo some no sistema, fragmentando-se, e se torna uma função: a ficção da unidade
Não, não dá mesmo pra te dizer as mesmas coisas.

sábado, 7 de novembro de 2009

vovô jung


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

do caderninho

Era noite já e a anergia tinha ido embora. Cheguei onde havia marcado, riscando um fósforo para ser reconhecida. Aproveitei para acender um Lucky Strike. Aproveito para acender um Lucky Strike sempre porque nunca se sabe quando a sugestão pode dar certo e lucky, lucky strike. Embaraço-me pernocando em dois degraus. Sempre esqueço deles.
Mais a frente reconheço algumas pessoas. Elas se aconchegam no chão. Fico um pouco ansiosa quando gritam o meu nome e pedem para que lhes leia algo, qualquer coisa – os olhos alfinetam minha boca que só sorri. Fico espetada ali, eu inteira no sorriso espetado ali, contra o fundo escuro da expectativa. Assim meu sorriso é uma borboleta morta, exposto.
Como poderia ler? Tanto escuro...e nem te escuto, nem feneço. Encaro bravamente os amigos sentados no chão querendo perguntar aos ecos (sem gritos anteriores...aos ecos mesmo) se estavas ali. Ecos de mim na escuridão.
Eles desistem de mim, alguém pede um cigarro. Difícil achar a carteira agora que foi engolida pela bolsa. E eles cantam e bebem, cantam e fumam sentados. Mas eu não sento. Só quando a mesa for posta e todos estiverem servidos.

Hilda Hilst: desde o dia 02.11

Como se tu coubesses
Na crista
No topo
No anverso do osso

Tento prender teu corpo
Tua montanha, teu reverso.

Como se a boca buscasse
Seus avessos
Assim te busco
Torsão de todas as funduras.
Persecutória te sigo
Amarras, músculo.
E sempre te assemelhas
A tudo que desliza, tempo,
Correnteza.

Na minha boca. Nos ocos.
No chanfrado nariz.
Rio abaixo deslizas, limo
Toco, em direção a mim.


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Juntas. Tu e eu.
Duas adagas
Cortando o mesmo céu.
Dois cascos
Sofrendo as águas.

E as mesmas perguntas.

Juntas. Duas naves
Números
Dois rumos
À procura de um deus.

E as mesmas perguntas
No sempre pasmoso instante.

Ah, duas gargantas
Dois gritos
O mesmo urro
De vida, morte.

Dois cortes.
Duas façanhas.
E uma só pessoa.


Esses dois poemas servem para reproduzir o que sinto ao ler Da morte. Odes mínimas, lançado há trinta anos (1979). Não é preciso dizer que os poemas todos giram ao redor da Morte, mas o que é interessante observar é a imagem geral que o conjunto dos poemas passa: de uma dança macabra (danse macabre), alegoria medieval da inevitabilidade da morte. Nessa busca pela morte (Eros construindo e Tanatos desconstruindo), Hilst sugere no título que o eu-lírito se transforma alquimicamente na própria morte. São poemas para a morte e da própria morte.
Entre os dois poemas algo claro: primeiro a busca e o encontro, parceiras no contínuo que rasgam no todo (céu, águas); segundo o dualismo: claro x escuro (Ah das gargantas, crista, montanha x anverso, funduras, urros) que se resolve em deus/pessoa (um deus, uma só pessoa); terceiro o encontro com a morte, com deus, consigo mesmo.
Comove ainda.
E ficaram por ler, pendurados, os poemas, no gancho do telefone.

genealogias internas das ternuras de hoje em dia

Eu li tarde Dostoiévski. Depois dos 20 anos. Não sei exatamente o motivo, mas acho que era pelo mesmo motivo que não tenho vontade de conhecer aquela pessoa de que todo mundo gosta, que a gente vê sempre nos locais rotineiros, sempre muito bem quista no grupo de amigos do qual faço parte, sempre muito bem falada... mas que num olhar apenas, por um despeito talvez, não consigo ver aquele brilho. E sempre aqueles comentários íntimos irritantes do tipo, lembra quando fulano falou tal coisa? E a pergunta é atropelada por um elogio nostálgico daquela pessoa brilhante que não te deixa espaço para dizer que não, não se lembra não. Sabe o Doistoiévski? Perguntavam e já havia lido tanto, ouvido tanto...que me resignava num sim, sei, e daí?
Daí, já no curso de letras, me apaixonei e tal e o menino era tão novinho e bonito e lembrava tanto o meu primeiro amor que tudo o que ele estava lendo me interessava. Era uma alegria visitar os livros dele que sempre divergiam dos meus, sempre completavam a minha biblioteca medíocre (e sei que ela sempre vai ser medíocre), uma alegria ver os Borges que eu não tinha, os Brecht... e... não consigo sair do B porque o que me marcou mesmo foi ver enfileirados os D., tantos. Um dia, depois de tantos livros trocados, sempre me esquivando do D., ele levou pra universidade o Memórias do Subsolo. Tirou da mochila meio assim e disse: Dani, acho que você precisa ler esse. Fiquei com cara de, sei lá, nunca comandei muito as minhas expressões faciais e isso inclusive é um problema à parte para mim – minha cara parece ter vontade própria, não sei. Mas lembro que respondi: eu não leio D.
Li num final de semana. Na outra, contaminada pelo personagem e agindo de forma extremamente paranóica, saí da Livraria da Ufam com o Jogador debaixo do braço e ao ver meu amigo me angustiei e escondi o livro na barriga. Não queria que ele soubesse que estava comprando o D. Hoje dou risadas, mas descobri naqueles dias o poder contaminador dos personagens dessa literatura. D. é um tipo de literatura.

“A questão toda, a minha maior canalhice, se resumia a que a todo momento, até no instante do ódio mais intenso, eu percebia, envergonhado, que não só não era mau, como não era nem mesmo uma pessoa enfurecida, apenas assustava pardais sem nenhum propósito e com isso me divertia. Minha boca espumava, mas se me trouxessem um brinquedinho ou um chazinho com açúcar, na certa eu me acalmaria. Ficaria até enternecido, embora, depois, provavelmente, rangeria os dentes para mim mesmo e, de vergonha, passaria alguns meses com insônia. Esse é o meu jeito de ser”

Hoje ainda não sou uma boa leitora de D., mas se não fosse por Notas do Subsolo eu certamente não teria a ternura que tenho por esses tipos problemáticos e cheios de vozes, essas criaturas chatas que se acreditam de difícil acesso, nos subsolos de si. Acreditem ou não, existem tantos e de muitas tonalidades. Tenho amigos de anos que toda vez que se portam com essa maldade assumida, uma canalhice pretendida, me dão uma vontade de rir e abraçar. Como quando o A. falava a plenos pulmões: “eu sou mau, sou muito mau!!!”, com cenho franzido...eu ria e ele quebrava um talhinho das plantas do jardim da minha casa: “tá vendo como eu sou mau?”... eu adorava. Afinal, não entendo o que é maldade e nem bondade... Acho que nem me importo em entender. Mas estou buscando mesmo é entender o amor e como isso não exclui o ódio e nem a raiva, mas consegue transformar as coisas, quebrar paradigmas internos, mostrar uma alternativa.
Ontem tive muita raiva. Raiva pelos sentidos negativos, pelas pessoas que preferem ficar com esses sentidos. Desenvolveram ao longo dos anos (sei lá... e isso é um julgamento) uma sensibilidade perceptiva para esses tipos de sentido no mundo, como se alimentassem os receptores para esse tipo de mensagem, como se do gosto do mundo não conseguissem mas provar toda a doçura que o mundo pode dar. Que raiva disso, que droga! Se falamos para essas pessoas algo como: “que cor de camisa engraçada essa que você está usando” elas automaticamente se jogam na frente da camisa que vestem para se sentirem desprezadas elas, e não a camisa, inferindo com isso um desprezo ou um ataque que não foi feito.
“Não crie vítimas onde não houve um crime”
Entendo isso. Quem nunca se sentiu vítima por ter que existir? Esse drama de sensitivos sensíveis. Mas essa postura é da infância indiferenciada, onde culpamos os pais por sermos o que somos, culpamos o outro por termos agido de tal e tal forma, por termos sido conduzidos ao erro e ao engano. Vontade imensa de abraçar o mundo, de abraçar a quem amo e a quem poderia amar e dizer: não tenho nada a ver com os sentidos negativos do mundo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

diga sim a si

não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não

não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não

não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não não crie situações nas quais você não quer estar não crie personagens ou histórias os quais não quer viver não alimente sentidos que não pode defender não queira continuar a amar sem ter amado não se finja de bobo sem saber rir não invente vítimas sem um crime não camufle medo com indiferença não deseje sem querer e não queira sem desejar não se comova por compaixão sem paixão não se comova por compaixão at all não se prenda ao passado não se confunda comigo não deixe de ser íntegro.