via anemona menina
...
and
we were afraid
then
that
all through our lives
things like that
would
happen,
that nobody
wanted
anybody
to be
strong and
beautiful
like that,
that
others would never
allow it,
and that
many people
would have to
die
and
we were afraid
then
that
all through our lives
things like that
would
happen,
that nobody
wanted
anybody
to be
strong and
beautiful
like that,
that
others would never
allow it,
and that
many people
would have to
die
*
Há pouco tempo, em um bate papo na internet, um amigo gentilmente me aconselhou a "largar mão dos filósofos" e ler os beats. Eu ri.
Acho que era 1999 quando criamos o grupo Lírico do Podre (Gean, Elisangela, Renan e djo) para fazer performance e publicações com tendências de terrorismo poético. Eu era extremamente fascinável: o Gean se pendurando pelos beliches da casa do estudante no centro de Manaus, num quarto escuro com uma única fonte de luz (uma lanterna), parecia um gárgula. De dentro dele explodia O uivo do Ginsberg. Eu sempre gostei mais do Sutra do Girassol. Eu tinha muito medo dos meus amigos e era uma péssima atriz. Aquele tempo deve ter colaborado com o cultivo de antipatia para com os beats. Tanto que voltei, nessa mesma conversa, a confundir as bolas: "eu não gosto mesmo é do Bukowski"... é, tá, o velho safado não era beatnik. Mas eu me pergunto se alguém naquela época não se sonhava beat. Frescura respeitar o Bukowski. Todo mundo cria, no final das contas, uma iconografia para reverenciar.
Sei que o grupo chegou a produzir um "manifesto da melancia" - coisa de Elis que já despontava a sua verve circense de palhaça - um livro do Renan cujo nome esqueci mas que se queria muito influenciado por Joyce, o "poema em doses de envelope", livro artesanal de poema meu e muito tempo depois um livro do Gean.
E agora entendo porque eu disse que eu não gostava dos beats: esse movimento foi insustentável para mim e causou uma importante frustração para a construção do que eu sou hoje. Se viver de arte me foi impossível, ao menos me refugiei no papel da crítica e de lá do meu espaço seguro e angustiado eu posso falar as maiores abobrinhas para tentar me convencer: os beats são secos.
Fui como os pais dos meninos da infância de bukowski: incapaz de aceitar que exista dentro de mim um homem forte com olhos bonitos.
Rest in peace, beats.